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dom, 25 de ago 17:56 (há 1 dia)
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Posted: 25 Aug 2019 10:45 AM PDT
JOÃO MATHIAS
Não são todas as flores que se limitam a oferecer cores variadas, formatos diferentes e aromas agradáveis, características que já fazem delas plantas cobiçadas para presentear alguém e decorar ambientes. Além da beleza e do perfume que exalam, existem espécies que ainda podem ser matéria-prima para a elaboração de outros produtos, ampliando para o agricultor as possibilidades de obter renda com o comércio da cultura.
Flor miúda e delicada, que embeleza e perfuma o ambiente, é muito usada na fitoterapia e na fabricação de cosméticos
Flor miúda, bela e delicada, a verbena tem porte pequeno. De um tom só ou em combinações diversas entre vermelho, branco, rosa ou roxo, forma arranjos em pequenos buquês no plantio em vasos, jardineiras, canteiros, maciços ou bordaduras. Mas, apesar de seu cultivo ter como principal finalidade a jardinagem e o paisagismo, também tem aproveitamento na culinária, no tratamento de doenças e na fabricação de cosméticos.
O consumo de chá feito com a flor e a raiz de verbena é recomendado, na medicina popular, para auxiliar no controle de muitas enfermidades, como problemas respiratórios, do coração, febre, resfriado, gota, anemia, enxaquecas e disfunção urinária. Considerada um calmante e sedativo, a ingestão da bebida é usada no combate à insônia e melhora a qualidade do sono.
Por suas ações digestivas, relaxantes, analgésicas e anti-inflamatórias, a verbena tem grande difusão na homeopatia e em terapias alternativas. A aplicação das pétalas e folhas, cozidas em água quente, é indicada para aliviar dores nas articulações e tratar conjuntivites.
As propriedades da verbena também fazem da planta um ingrediente muito procurado para o preparo de um extenso leque de itens da indústria da beleza. Loções hidratantes, óleos para peles, xampus, condicionadores e produtos de perfumaria são algumas das opções oferecidas no mercado tendo a flor como componente.
De cultivo fácil e com altura que não passa de 30 centímetros, não necessitando de muito espaço, a verbena pode ser plantada em sítios, chácaras e em quintais de residências até por quem tem pouca experiência na lida com plantações. Nativa da América do Sul, tem a vantagem de estar adaptada ao clima brasileiro.
De crescimento prostrado – rente ao chão –, a verbena é perene e brota durante o ano inteiro, embora, para mantê-la sempre florida e vistosa, a dica é renovar a cada dois anos. Pertencente à família Verbenaceae, possui caule ramificado e folhas longas, levemente ovaladas e com bordas denteadas. Em cachos arredondados nas pontas dos ramos, as flores de cinco pétalas são agrupadas semelhantes a um guarda-chuva e muito ornamentais.
Consultoria: Eliane Gomes Fabri, pesquisadora do Instituto Agronômico (IAC), de Campinas, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, tel. (11) 4582-7284 ou (19) 3202-1704, efabri@iac.sp.gov.br
Onde comprar: mudas são vendidas em centrais de abastecimento (Ceasas), floriculturas e viveiristas. Sementes podem ser adquiridas também em boxes especializados em Ceasas, empresas e lojas agropecuárias e de jardinagem.
Mais informações: em centros de floriculturas de instituições de pesquisa, com profissionais de floriculturas e viveiristas especializados em flores.
Mãos à obra
Início
Entre as espécies verbena hybrida, verbena rigida, verbena tenera e verbena tenuise, a híbrida é as mais comum e mais cultivada. Mudas para começar o plantio podem ser compradas de R$ 1 a R$ 5 em viveiristas que, preferencialmente, sejam indicados. Como alternativa para cultivos estabelecidos, existem sementes cujos preços variam muito, por serem oriundas de cruzamentos.
Ambiente
Que recebe bastante sol é o preferido para a verbena crescer com vigor. Adaptada ao clima subtropical e tropical, a flor gosta de temperaturas entre 20 ºC e 28 ºC e manter-se sob os raios solares por várias horas. Contudo, a planta também é tolerante ao frio.
Propagação
Pode ser por sementes (mais recomendada para cultivo comercial de mudas), por divisão da planta (mais utilizada na multiplicação caseira) ou por ramos enraizados. Para facilitar o pegamento a partir de uma planta matriz, use os ramos (estacas) com, pelo menos, dois entrenós. Plante as estacas em substrato, mantendo-o úmido até verificar o desenvolvimento das primeiras folhas, quando se deve retirar a planta com cuidado do recipiente e transferi-la para o local definitivo.
Plantio
O solo rico em matéria orgânica é o preferido da verbena. Deve ser também bem drenado, porém, precisa receber regas regulares, sem ficar encharcado. Extenso, o período para plantar a flor inclui os meses do inverno e da primavera. Certifique-se de que a plantação esteja em local que receba sol de quatro a seis horas por dia, mesmo se o cultivo for em vaso. Recomenda-se recipiente com 30 a 40 centímetros de profundidade, com pedras no fundo e areia grossa na composição da terra, para aumentar a vazão da água.
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Posted: 24 Aug 2019 03:07 PM PDT
Número total de alertas de sistema rápido Deter mostram 6.833 quilômetros quadrados devastados na Amazônia; mês de julho foi o pior da série histórica.
DO OC – Em que pese todo o esforço do governo federal para assassinar o mensageiro, a mensagem segue dramática: o desmatamento na Amazônia cresceu 50% em 2019, primeiro ano do governo de Jair Bolsonaro. Os dados são do Deter, o sistema rápido de alertas do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), que nos últimos dias foi vilipendiado por Jair Bolsonaro e pelo seu ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles.
A série anual do Deter de 2019 foi encerrada ontem pelo Inpe, que postou os dados na internet, no portal TerraBrasilis, como faz desde 2017. O desmatamento em julho foi o pior mês da série histórica do Deter-B, com 2.254 quilômetros quadrados de alertas – alta de 278% em relação a julho do ano passado. É mais do que o dobro do observado no pior mês do Deter até então, agosto de 2016, que havia registrado 1.025 km2 de alertas.
De agosto de 2018 a julho de 2019 (o desmatamento sempre é medido nos 12 meses de agosto de um ano a julho do ano seguinte), o Deter viu 6.833 quilômetros quadrados desmatados, contra 4.572 quilômetros quadrados no ano passado (agosto de 2017 a julho de 2018).
A taxa oficial da destruição será dada no fim do ano pelo sistema Prodes, também do Inpe. E mostrará um quadro ainda mais grave. Isso porque o Deter é um sistema “míope”, que não é feito para calcular a área desmatada, mas sim para orientar a fiscalização do Ibama. Para isso, ele faz detecções de desmatamento em tempo quase real, só que com resolução bem mais baixa que a do Prodes. Portanto, parte do desmatamento o sistema simplesmente não pega.
É muito difícil extrapolar dados do Prodes a partir do Deter, devido às diferenças de resolução. Mas, apenas como experimento mental, se o Prodes mostrar uma alta percentual equivalente à do Deter, o país verá um desmatamento de 11.200 km2 em 2019. Será a primeira vez desde 2008 que o número fica em cinco dígitos.
A explosão do desmatamento neste ano fez o ministro Salles operar a fritura do diretor do Inpe, Ricardo Galvão, e acelerar planos que nutria desde o começo do governo de contratar um novo sistema de sensoriamento remoto que ele possa controlar. A senha para a exoneração de Galvão aconteceu no último dia 19, quando Bolsonaro disse que os dados do Inpe eram mentirosos e que o diretor, um físico de 71 anos com doutorado no MIT, estaria “a serviço de alguma ONG”.
Na quinta-feira passada, Salles fez uma tentativa de descredenciar o Inpe, mostrando numa coletiva no Palácio do Planalto um PowerPoint que supostamente mostrava erros em 50% das detecções do Deter de junho. O Inpe jamais recebeu o estudo no qual a apresentação se baseava, para compará-lo ao Deter.
Galvão foi demitido no dia seguinte. Ontem (5) o governo anunciou seu substituto interino, o militar da Aeronáutica Darcton Policarpo Damião.
O sistema Deter foi criado em 2004 é considerado um dos responsáveis pela redução da velocidade do desmatamento da Amazônia – que caiu em 83% entre 2004 e 2012. Ele fornece alertas diários que são usados pelo Ibama para mandar equipes de fiscais a campo autuar desmatadores e impedir o crime ambiental. Segundo dados do MapBiomas Alerta, que usa imagens do Deter e de outros sistemas de detecção rápida, 95% do desmatamento da Amazônia é ilegal.
No governo Bolsonaro, porém, essa ação de fiscalização foi arrefecida, seguindo a ordem presidencial de “meter a foice no Ibama” e “tirar o Estado do cangote de quem produz” (sic). O número de operações do órgão na Amazônia caiu 70% entre janeiro e abril. O número de multas aplicadas pelo Ibama por desmatamento na Amazônia de janeiro a julho deste ano caiu 14% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo levantamento feito pelo OC na base de dados do órgão.
O ataque do governo Bolsonaro não é o primeiro sofrido pelo Deter. Em 2008, quando os alertas de desmatamento também dispararam, o então governador de Mato Grosso, Blairo Maggi, questionou publicamente o dado a partir de uma interpretação das imagens de satélite paga por ele. A checagem dos alertas in loco mostrou que o Inpe estava certo.
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