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quinta-feira, 3 de junho de 2021

Israel: aliança com partido árabe define novo governo de união

Israel: aliança com partido árabe define novo governo de união Bloco de oito partidos, da esquerda à direita, foi definido com o objetivo de dar fim ao governo de Benjamin Netanyahu INTERNACIONAL | Eugenio Goussinsky, do R7 03/06/2021 - 02H00 (ATUALIZADO EM 03/06/2021 - 05H35) COMPARTILHE: https://www.r7.com/MrUn A- A+ Bennett (esq.) e Lapid conversam no Parlamento Bennett (esq.) e Lapid conversam no Parlamento RONEN ZVULUN/EFE/02-06-21 Quando os resultados da quarta eleição em Israel, em menos de dois anos, foram definidos, de início se pensou em mais um impasse para a formação de um novo governo. Um diferencial, porém, abriu uma brecha para uma mudança, que culminou, na última quarta-feira (2), no acordo para a formação de um novo governo e, neste momento, dar fim à era de Benjamin Netanyahu, que desde março de 2009 se mantinha no cargo de primeiro-ministro. Ele já havia exercido a função entre 1996 e 1999. O diferencial é que, no último pleito, ocorrido em março de 2021, o partido centrista, Yesh Atid (Existe Futuro), do agora político Yair Lapid, antes um conhecido jornalista e apresentador de TV, se tornou peça-chave nas negociações. Isto porque, desta vez, o Yesh Atid conseguiu sozinho 17 cadeiras, tornando-o o segundo partido mais votado na eleição, atrás apenas do Likud, do governista Benjamin Netanyahu, com 30 cadeiras. E, como o prazo dado pelo presidente Reuven Rivlin, ao partido mais votado, se expirou, a atribuição passou a ser do líder do segundo mais votado. Lapid fez algo que, nas três eleições anteriores coube a Benny Gantz, considerado pouco carismático e sem tanta habilidade política. Vinte minutos antes do prazo se encerrar, na última quarta-feira, ele apresentou o novo governo ao presidente e agora, para que Israel ingresse em uma nova etapa, resta apenas a aprovação do Knesset (Parlamento). Lapid abre mão do poder, inicialmente, para dar sustentação a um novo governo, formado por uma aliança que chega a 61 cadeiras, das 120 do Parlamento. Só assumirá o cargo de primeiro-ministro daqui a dois anos, deixando-o atualmente com o líder do direitista Yamina, Naftali Bennett. E, em negociações longas, que se encerraram no conhecido centro Kfar Hamaccabiah, em Ramat Gan, a aliança de oito partidos tem como objetivo superar as diferenças ideológicas e se concentrar na busca da união do país, trabalhando temas comuns a todos os setores da socidade israelense. Para Renato Bekerman, representante do Meretz Brasil e delegado pelo Meretz no Congresso Sionista Mundial, a iniciativa tem por meta restabelecer o diálogo no país. O Meretz, liderado por Nitzan Horowitz, é um dos partidos que compõem a coalizão. "O governo que se apresenta para assumir Israel, após 12 anos de Netanyahu como primeiro-ministro, poderia ser chamado de 'governo da mudança', com uma frente de partidos englobando direita nacionalista, centro, esquerda sionista e partidos árabes-israelenses não-sionistas. Esse bloco pluripartidário visa acabar com o continuísmo de Netanyahu, assegurando a democracia e tentando criar um ambiente de convivência sem tanto extremismo", afirma. Bekerman considera que, mesmo com alguns partidos dentro da aliança tendo plataformas favoráveis à construção de assentamentos e contrárias a muitas reivindicações dos palestinos, haverá espaço para negociações. "Será um grande passo para Israel voltar às negociações de paz e melhorar a coexistência entre árabes e judeus", observa. Até mesmo o partido árabe, Ra'am que chegou a se aliar a Netanyahu, se dispôs a se unir a esse novo bloco. E reivindica apenas algo que Netanyahu já aceitou, que é cancelar uma lei que aplica multas em construções árabes consideradas ilegais. A confirmação da aliança, definida nesta quarta-feira (2), só atrasou por causa desta iniciativa de Netanyahu, o que fez o líder do Ra'am (Liderança Árabe Unida), Mansour Abbas, se reunir novamente com Bennett, do Yamina, exigindo que o direitista concordasse com tal reivindicação árabe. Os críticos dessa aliança dizem que ela é insustentável, pelas diferenças políticas entre seus componentes. O argumento para sua existência, porém, tem como base a contrariedade de todos os setores em relação ao que é visto como continuísmo de Netanyahu que, segundo eles, não está favorecendo o país. Além disso, eles se opõem ao primeiro-ministro pelo fato dele estar sendo acusado de corrupção, fraude e abuso de confiança em três casos separados. O julgamento, inclusive, já teve início, após o procurador-geral de Israel o acusar formalmente em novembro de 2019. Netanyahu nega qualquer crime e se diz vítima de uma perseguição política. A expectativa em Israel é que essa aliança, que reúne desde a direita, de Bennett, até a esquerda, representada pelos partidos Meretz e Trabalhista, dê uma trégua à polarização existente no país e, abarcando diferentes polos, busque um entendimento para pacificar a política interna israelense. E, assim, diminua a tensão entre vários setores da sociedade. Este amplo governo de união é marcado pela diversidade, formado por uma liderança em geral jovem, com os seguintes membros do Parlamento. Naftalli Bennett, 49 anos (direita, Yamina) - Tem uma proposta expansionista, contrária ao Estado Palestino. Tornou-se milionário nos tempos em que vivia nos Estados Unidos, quando montou uma empresa de software, que vendeu por 145 milhões de dólares. Mora em Ra'anana com a família. A cidade é um atual centro de imigração de brasileiros para Israel. Merav Michaeli, 54 anos (esquerda, Partido Trabalhista) - Deu uma nova roupagem, mais moderna, ao Partido Trabalhista que se originou da base política fundadora de Israel. Está ligada ao ativismo feminista, defesa dos direitos das minorias, trabalhadores e na promoção da paz. Gideon Sa'ar, 53 anos (direita, Nova Esperança) - É mais um nome que foi ministro no governo de Netanyahu, mas se tornou opositor, sendo favorável à anexação das colônias israelenses na Cisjordânia e defensor de um poder limitado da Suprema Corte. Mansour Abbas, 47 anos - (esquerda, Ra'am, Liderança Árabe Unida) - Político árabe-israelense, de religião islâmica, formado em Odontologia pela Universidade de Jerusalém. Também fez Ciência Política na Universidade de Haifa e defende uma solução para o problemas dos refugiados palestinos, tendo sido contrário aos últimos tratados de paz de Israel com países do Golfo Pérsico. Avigdor Lieberman, 62 anos (extrema-direita, Israel Nossa Casa) - Sua saída do cargo de ministro da Defesa, em novembro de 2018, deu início à fragmentação do governo de Netanyahu. Nascido na Moldávia, antiga União Soviética, é representante dos russos que imigraram para Israel. Não tem cunho religioso, mas sim nacionalista, defendendo a lealdade de qualquer povo que tem cidadania israelense. Nitzan Horowitz, 56 anos (esquerda, Meretz) - Primeiro líder partidário abertamente homossexual em Israel, foi correspondente do jornal Haaretz na Europa e tem preferência por Lapid como primeiro-ministro no momento. É contra a anexação de territórios, leis que limitem o direito dos árabes de participar das eleições e árduo defensor de organizações de direitos humanos. Yair Lapid, 57 anos - (centro, Yesh Atid) - Foi ministro das Finanças em 2013 e se desvinculou do governo para se tornar um opositor forte, que agora está serivndo como intermediário de um novo governo. Benny Gantz, 61 anos (centro, Azul e Branco) - Foi o 20º chefe do IDF (Estado-Maior do Forças de Defesa de Israel) entre 2011 e 2015 e o 17º presidente do Knesset de 26 de março de 2020 a 17 de maio de 2020. Atual ministro da Defesa, está no cargo em função de uma aliança, que já se desfez, com o atual governo. Nas outras eleições, não conseguiu formar uma coalizção governamental. ISRAEL GOVERNO COMPARTILHE: Recomendado para você

domingo, 10 de fevereiro de 2019

Ministério inclusivo

Ministério inclusivo

Entenda por que a Igreja Adventista está dando nova ênfase às necessidades especiais
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Por décadas, as pessoas que não podiam ver, ouvir, andar ou pensar, como a maioria, foram agrupadas em uma categoria chamada de “pessoas com deficiência”. Embora não fosse um rótulo ruim, duas coisas aconteciam em decorrência desse rótulo. Primeiramente, as pessoas que recebiam essa “identidade” eram lembradas pelo que não conseguiam realizar. Em segundo lugar, o tipo de assistência oferecida limitava-se, muitas vezes, ao que era considerado ser uma necessidade especial. Poucos esforços eram feitos a fim de reunir as contribuições positivas que essas pessoas tinham para oferecer ao ministério e atividades comuns da Igreja Adventista do Sétimo Dia.
No entanto, essa realidade está prestes a mudar. A Associação Geral, corpo administrativo da Igreja Adventista mundial, formou uma comissão para tratar dessas necessidades em 2011 [em novembro de 2015, a Divisão Sul-Americana também criou um ministério específico para atender esse público. Para saber mais, clique aqui]. O grupo foi chamado de “Comissão das Necessidades Especiais” e foi inserido no departamento de Ministério Pessoal e Escola Sabatina. Esse departamento prestou certa assistência aos cegos e outras pessoas com limitações físicas.
Essa nova comissão teve um alcance ministerial mais inclusivo. Foi umprimeiro passo importante. Porém, à medida que a igreja se conscientizava das necessidades, ficou evidente que era preciso atuar de maneira mais abrangente. Afinal, muitos haviam sido involuntariamente marginalizados. O trabalho do departamento de Ministério Pessoal e Escola Sabatina já era grande, e, assim, pouca atenção podia ser dada às necessidades especiais dessas pessoas.
Em seus escritos, Ellen White, uma das pioneiras do adventismo, ressaltou a importância de um trabalho voltado para pessoas com necessidades especiais. “Vi que é pela providência de Deus que viúvas e órfãos, cegos, surdos, coxos e pessoas atribuladas por diversos modos foram postas em íntima relação cristã com sua igreja; é para provar seu povo e desenvolver-lhe o caráter. Os anjos de Deus estão observando para ver a maneira pela qual tratamos essas pessoas necessitadas de nossa simpatia, amor e desinteressada generosidade. Essa é a maneira de Deus provar nosso caráter” (Serviço Cristão, p. 191).
Reconhecendo a necessidade de promover esse ministério, a Comissão Administrativa da Associação Geral votou, em setembro de 2015, transferir a coordenação do Ministério das Necessidades Especiais para a supervisão do presidente, a fim de que houvesse uma ênfase global maior. Assim, fui escolhido assistente do presidente para o Ministério das Necessidades Especiais.
Essa nova função atenderá as necessidades dos ministérios dos surdos, cegos, órfãos e dos que possuem limitações físicas ou mentais. O leque de necessidades é amplo. A atenção principal será amplamente direcionada a proporcionar oportunidades para que as pessoas com necessidades especiais se tornem mais envolvidas em toda a missão da igreja. Em alguns casos, a estrutura física de uma igreja ou edifício pode precisar de atenção. A principal ênfase, no entanto, é fazer todo o possível para que essas pessoas possam experimentar a inclusão e não a exclusão no cumprimento da missão da igreja.
Em muitos casos elas são a nossa missão. Estimativas mais recentes do Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) indicam que havia mais de 132 milhões de órfãos no mundo em 2007, incluindo 13 milhões de crianças que perderam pai e mãe. Certamente, esses números aumentaram desde então. Esse é um problema que não deve ser subestimado.
As Nações Unidas também informam que cerca de 1 bilhão de pessoas em todo o mundo convivem com deficiências. Isso significa 1/7 da população mundial. Deve-se considerar que todos nós, ou somos ou nos tornaremos incapazes de uma forma ou de outra no decorrer de nossa vida.
Pessoas com necessidades especiais enfrentam muitas barreiras para ser incluídas em aspectos fundamentais da sociedade. Um desses segmentos da sociedade é a igreja e a evangelização dos que possuem alguma espécie de deficiência grave. Quando se trata dos surdos, por exemplo, acredita-se que menos de 2% deles sejam cristãos.
Há muitas maneiras de enxergar a missão da Igreja Adventista. Ao planejarmos nossas estratégias missionárias, não devemos negligenciar a necessidade de alcançar as pessoas que frequentemente são chamadas de deficientes. A deficiência faz parte da condição humana. É crucial que sensibilizemos a igreja para com as necessidades desse ministério.
O presidente da Associação Geral, pastor Ted Wilson, tem enfatizado esse ponto ao observar: “O Ministério das Necessidades Especiais está seguindo as pegadas de Cristo e Seu único método de tratar as pessoas fisicamente, mentalmente, socialmente e espiritualmente. Cristo quer que alcancemos essas pessoas e as envolvamos com a proclamação das três mensagens angélicas, enquanto aguardamos com ansiedade Sua vinda”.
Mas a singularidade de cada um dos cinco grupos – surdos, cegos, órfãos e as pessoas com limitações físicas e mentais – continuará a ser reconhecida. Nós visionamos futuramente a criação de uma Assembleia Adventista de Assessoria Mundial, a fim de dar orientações quanto ao desenvolvimento de planos estratégicos de ministério. Todos esses cinco grupos de pessoas têm tanto para oferecer à igreja mundial quanto para receber dela. [Créditos da imagem: Fotolia]
LARRY R. EVANS é assistente do presidente da Associação Geral para o Ministério de Necessidades Especiais (texto publicado originalmente no site da Adventist Review)
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