Maconha era usada em rituais judaicos na antiguidade, diz estudo Posted: 01 Jun 2020 07:29 AM PDT Publicado na BBC Judeus na antiguidade usavam maconha em seus rituais religiosos, segundo um novo estudo. Uma substância em bom estado de preservação foi encontrada em um templo de 2,7 mil anos de idade no sítio arqueológico de Tel Arad, na região central de Israel. Ela foi identificada pelos cientistas como maconha e continha inclusive o composto psicoativo da cannabis, o THC. Os pesquisadores afirmam que a maconha pode ter sido queimada para induzir nos fiéis um estado alterado de consciência. Esta é a primeira evidência de drogas psicotrópicas sendo usadas em um ritual religioso judaico na antiguidade, de acordo com a imprensa israelense. O templo foi encontrado no deserto de Negev, a cerca de 95 km ao sul de Tel Aviv, na década de 1960. Como foi feita a descoberta Graças a isso e ao clima seco, os resíduos de cannabis foram preservados no topo desses altares. Também foi encontrado incenso em um altar, o que não surpreende por sua importância em textos sagrados, disseram os autores do estudo ao jornal israelense Haaretz. No entanto, o tetra-hidrocanabinol (THC), canabidiol (CBD) e canabinol (CBN), que são compostos encontrados na maconha, foram identificados no segundo altar. O estudo acrescenta que as descobertas em Tel Arad indicam que a maconha também teria sido utilizada em cultos no Primeiro Templo de Jerusalém. Isso porque, na época, o santuário em Arad fazia parte de uma fortaleza no topo de uma colina na fronteira sul do Reino de Judá que teria correspondência, em uma versão em menor escala, com descrições bíblicas do Primeiro Templo. Os restos do templo em Jerusalém agora estão inacessíveis para os arqueólogos, então, eles estudam Arad e outros santuários semelhantes para entender como se dava a adoração no templo maior. |
Israel descriminaliza o uso adulto de cannabis

Resumo da matéria
- De acordo com uma nova legislação de Israel, o cultivo caseiro de cannabis é permitido, assim como seu consumo para fins medicinais e recreativos;
- A indústria de maconha israelense está no topo da lista, com empresas como a Tikun Olam, que tem 40% de participação no mercado;
- Segundo o Ministério da Saúde de Israel, mais de 550 fazendas já enviaram pedidos de licença para cultivar cannabis medicinal.
Novas leis israelenses descriminalizaram a posse de cannabis e plantas similares. De acordo com a nova legislação, o cultivo caseiro de maconha não é mais punível por lei, e o porte de pequenas quantidades de cannabis em público sem autorização médica será punido com multas, em vez de processos criminais.
Israel descriminalizou o uso adulto da planta no dia 1º de abril deste ano. No mesmo dia, o ex-primeiro-ministro israelense Ehud Barak foi o principal orador da 4ª conferência anual da CannaTech, na cidade de Tel Aviv.
Barak, que é presidente da Cannoc/Intercure, empresa israelense de cannabis medicinal, falou sobre os benefícios da planta, dizendo que Israel está mudando seu lema para “a terra do leite, mel e maconha”.
O envolvimento do ex-primeiro-ministro com a temática destaca ainda outro político, que deixou de ser proibicionista para ser proponente da cannabis: o ex-presidente da Câmara dos EUA, John Boehner. Com o posicionamento, Barak se junto ao grupo global de ex-líderes de governo, como o ex-presidente do México, Vicente Fox, que está em busca de mudar a percepção do mundo sobre a cannabis.
“Cerca de 35 países já legalizaram a cannabis de alguma maneira, seja para uso médico ou até recreacional”, explicou Barak, durante sua palestra. “Dois terços dos estados dos EUA aprovaram a cannabis medicinal, e um terço aprovou o uso recreativo.” (Em alguns círculos de consumo de cannabis, a expressão utilizada para “consumo recreacional” é “uso adulto”.)
Com o estereótipo de “macho alfa” que se espera de um ex-membro do exército, Ehud Barak afirma: “O futuro da cannabis pertence àqueles que são maiores, mais rápidos e mais assertivos, que terão lugar garantido nos mercados”.
O parlamento israelense aprovou a 16ª emenda ao Decreto de Drogas Perigosas em 25 de dezembro do ano passado, que diz respeito à governança e à regulamentação da exportação de maconha medicinal do país. Assim, Israel está pronto para se tornar um centro global no mercado de maconha.
A indústria de maconha israelense já está entre os “atores mais assertivos”, com empresas como a Tikun Olam na liderança, com 40% de participação no mercado.
“Quando se trata de ranking da indústria mundial de cannabis, Israel está no topo da lista. Desde as primeiras descobertas de Raphael Mechoulam [químico orgânico israelense] até o trabalho significativo na identificação do sistema endocanabinóide, o país tem liderado alguns dos avanços mais significativos na ciência da cannabis. Sendo a primeira nação a legalizar a maconha medicinal, mais de uma década atrás, Israel permitiu que empresas como a Tikun Olam, assim como instituições médicas e educacionais, realizassem pesquisas inovadoras que serviram como base para avanços nessa indústria”, afirma Stephen Gardner, diretor de marketing da Tikun Olam nos Estados Unidos.
Segundo o Ministério da Saúde do país, mais de 550 fazendas já enviaram pedidos de licença para cultivar cannabis medicinal, em antecipação às novas diretrizes que permitirão a compra de maconha em farmácias por qualquer paciente com a prescrição de um médico. Atualmente, a planta está disponível apenas para pacientes que sofrem de mal de Parkinson, epilepsia, câncer e outras doenças terminais.
As novas leis foram adiadas, mas devem entrar em vigor em breve.
