
Já falamos brevemente sobre os modismos e tendências que podem grassar a jardinagem e o paisagismo.
Se há uma flor que sintetiza os diversos altos e baixos que uma planta percorre pelos voláteis caminhos dos modismos e tendências, essa flor é o copo-de-leite (Zantedeschia aethiopica). Dependendo do paisagista ou do proprietário do jardim, ela pode ser considerada um exemplar sublime de herbácea ou epítome da velha escola “ultrapassada” do paisagismo.
A nomenclatura binominal denuncia: ela é nativa da África, endêmica na Áfica do Sul e Suazilândia e cresce naturalmente nas margens de rios e lagoas, pois o copo-de-leite prefere solos e clima úmidos e temperados (por isso ela também é chamada de lírio-do-nilo).
Em alguns biomas ela pode ser considerada invasiva graças à sua extrema rusticidade e facilidade de plantio. Bastam solo bem úmido e com boa quantidade de matéria orgânica (solos pantanosos ou brejosos são os seus preferidos) e ambiente a pleno sol ou sob meia-sombra.
O copo-de-leite é escolhido por quem tem locais próximos a lagos ou espelhos d’água, mas também presta-se ao plantio entouceirado graças ao efeito ornamental das flores e folhas. Vasos que retêm umidade também são bem-vindos.
As grandes folhas coriáceas e cordiformes do copo-de-leite não deixam esta planta herbácea perder o viço paisagístico mesmo sem flores. Verdes-escuras e com tamanho que podem chegar a 45 centímetros, as folhas formam um maciço compacto.
A flor é monopodial e nasce sobre uma haste que alcança até um metro. A inflorescência verdadeira é a parte amarela, chamada de espádice, e as pequenas flores são atraídas pelos polinizadores graças à bráctea branca que a envolve, que dá à flor o porte de um cálice.
A flor (simplificaremos chamando a espádice e a bráctea de flor) viceja no Verão e tem uma grande durabilidade, perto de um mês. Contudo, algumas espécies frutos do hibridismo podem florescer em diversas estações, e há espécies com brácteas coloridas.
O copo-de-leite produz oxalato de cálcio, que é tóxico. Seu contato com a pele e mucosas deve ser evitado porque esta toxina pode causar intoxicação, irriração, dermatites, diarreias, obstruções respiratórias entre outros efeitos deletérios. Jardins com crianças e animais não devem ter o copo-de-leite; ao manuseá-lo, seja para podas ou simplesmente transposição de vasos, deve-se SEMPRE lavar bem as mãos depois de manipular a flor.
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