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domingo, 24 de fevereiro de 2019

Entrevista: 'Não há nenhuma possibilidade de confronto', diz ministro da Defesa

Entrevista: 'Não há nenhuma possibilidade de confronto', diz ministro da Defesa

 Segundo general Fernando Azevedo e Silva, 'a determinação recebida do presidente Jair Bolsonaro é de que, de jeito nenhum, as Forças Armadas brasileiras atravessarão a fronteira'

Entrevista com
General Fernando Azevedo e Silva, ministro da Defesa
Tânia Monteiro / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo
23 Fevereiro 2019 | 03h00
Mesmo com o conflito registrado nesta sexta-feira, 22, na região da fronteira, o ministro da Defesa, general Fernando Azevedo e Silva, disse ao Estado que “não há possibilidade de confronto militar” entre Brasil e Venezuela. “A determinação que nós recebemos do presidente Jair Bolsonaro é de que, de jeito nenhum, as Forças Armadas brasileiras atravessarão a fronteira” para levar ajuda humanitária aos venezuelanos.
General Fernando Azevedo e Silva, Ministro da Defesa do Brasil
General Fernando Azevedo e Silva, Ministro da Defesa do Brasil  Foto: REUTERS/Adriano Machado
O Brasil poderá entrar na Venezuela para levar alimentos e medicamentos?
De jeito nenhum as Forças Armadas brasileiras atravessarão a fronteira. A ajuda se dará pelo lado brasileiros, com o abastecimento de caminhões venezuelanos, dirigidos por motoristas venezuelanos. O Brasil não entrará em território venezuelano. Esta já é a segunda operação humanitária e logística. Nós vamos nos preposicionar na faixa de fronteira com medicamentos, gêneros para que os venezuelanos ou as autoridades constituídas venham apanhá-las aqui. De forma alguma nós vamos manter qualquer ingerência em relação ao território venezuelano. É uma operação simplesmente humanitária, de levar uma possível ajuda para fronteira Brasil-Venezuela, para que os venezuelanos venham pegar isso aqui.
E se eles não conseguirem passar para o lado brasileiro ou regressarem para o lado venezuelano?
Os medicamentos e alimentos estarão à disposição dos venezuelanos assim que eles puderem vir buscar, a partir deste dia 23 de fevereiro. A determinação que nós recebemos do presidente Jair Bolsonaro é de que, de jeito nenhum, as Forças Armadas brasileiras atravessarão a fronteira para levar ajuda humanitária aos venezuelanos. A ajuda se dará pelo lado brasileiro, com o abastecimento de caminhões venezuelanos.
Houve mortes do lado de lá. Se esse quadro se repetir, o Brasil pode agir, fazer alguma coisa para defender os venezuelanos?
Não vamos fazer nada. Não temos ingerência sobre território venezuelano. A soberania venezuelana tem de ser respeitada.
Há preocupação com confrontos de tropas brasileiras e venezuelanas?
Nenhuma preocupação em relação a isso. Não há motivo para isso. Não há motivo para um confronto entre tropas brasileiras e venezuelanas. Não tem essa possibilidade. Não haverá isso. Não há possibilidade de confronto militar.
Há prontidão na fronteira brasileira por conta da tensão na Venezuela? Ou aumento de pessoal na fronteira?
Nenhuma. A posição das nossas forças no local é de completa normalidade.
Não seria natural que se aumentasse o número de militares na fronteira diante de uma possibilidade de confronto?
Não. Não aumentamos número de militares porque não há possibilidade de confronto.
Circularam informações de que o presidente Madurou posicionou o Sistema de Mísseis de Defesa Aérea próximo à fronteira com o Brasil? O governo tem essa confirmação? É uma atitude hostil?
Nenhuma informação a respeito disso. Não vejo essa possibilidade como informação verdadeira.

sábado, 23 de fevereiro de 2019

Manifestantes lançam coquetéis molotov contra base do Exército da Venezuela na fronteira com o Brasil



Por Alan Chaves e Emily Costa, G1
 



00:00/04:41
Venezuelanos atacam posto do Exército da Venezuela na fronteira com o Brasil
Manifestantes lançaram coquetéis molotov contra base do Exército da Venezuela na fronteira com o Brasil, em Pacaraima (RR) por volta das 18h20 deste sábado (23). Os militares venezuelanos reagiram com bombas de gás lacrimogêneo cerca de dez minutos depois.
Protesto de venezuelanos na fronteira com o Brasil; guardas reagem com gás lacrimogêneo — Foto: Alan Chaves/G1Protesto de venezuelanos na fronteira com o Brasil; guardas reagem com gás lacrimogêneo — Foto: Alan Chaves/G1
Protesto de venezuelanos na fronteira com o Brasil; guardas reagem com gás lacrimogêneo — Foto: Alan Chaves/G1
Polícia brasileira orienta manifestantes a retornarem para o lado brasieiro em conflito na fronteira com a Venezuela — Foto: Alan Chaves/G1 RRPolícia brasileira orienta manifestantes a retornarem para o lado brasieiro em conflito na fronteira com a Venezuela — Foto: Alan Chaves/G1 RR
Polícia brasileira orienta manifestantes a retornarem para o lado brasieiro em conflito na fronteira com a Venezuela — Foto: Alan Chaves/G1 RR
Bombas de gás lacrimogêneo são jogados em manifestantes na fronteira, em Pacaraima — Foto: Alan Chaves/G1 RRBombas de gás lacrimogêneo são jogados em manifestantes na fronteira, em Pacaraima — Foto: Alan Chaves/G1 RR
Bombas de gás lacrimogêneo são jogados em manifestantes na fronteira, em Pacaraima — Foto: Alan Chaves/G1 RR
De acordo com informações preliminares, os coquetéis molotov foram atirados por venezuelanos que vivem no Brasil em direção ao posto militar da Venezuela. Depois, houve outra confusão, em que manifestantes e soldados venezuelanos jogaram pedras uns nos outros. Há também relatos de tiros com armas de fogo.
Imagens mostram uma caminhonete da Guarda Nacional Bolivariana incendiada depois do tumulto.
Espaço da guarda venezuelana é incendiado com coquetel molotov na fronteira — Foto: Alan Chaves/G1 RREspaço da guarda venezuelana é incendiado com coquetel molotov na fronteira — Foto: Alan Chaves/G1 RR
Espaço da guarda venezuelana é incendiado com coquetel molotov na fronteira — Foto: Alan Chaves/G1 RR
Equipes do batalhão de choque da Polícia Militar de Roraima e da Força Nacional se dirigiram até a fronteira. As forças de segurança brasileira pediram que os manifestantes se afastem e parem de atirar objetos contra os militares venezuelanos.
Por volta das 19h20, policiais e militares brasileiros começaram a dispersar os manifestantes que continuavam perto da fronteira com a Venezuela.
Força Nacional e Batalhão de Choque reforçam segurança no lado brasileiro da fronteira após confusão entre manifestantes e guardas venezuelanos — Foto: Alan Chaves/G1 RRForça Nacional e Batalhão de Choque reforçam segurança no lado brasileiro da fronteira após confusão entre manifestantes e guardas venezuelanos — Foto: Alan Chaves/G1 RR
Força Nacional e Batalhão de Choque reforçam segurança no lado brasileiro da fronteira após confusão entre manifestantes e guardas venezuelanos — Foto: Alan Chaves/G1 RR
Um civil venezuelano passou mal com gás e é atendido pelo Exército em Pacaraima — Foto: Emily Costa/G1 RRUm civil venezuelano passou mal com gás e é atendido pelo Exército em Pacaraima — Foto: Emily Costa/G1 RR
Um civil venezuelano passou mal com gás e é atendido pelo Exército em Pacaraima — Foto: Emily Costa/G1 RR
Um civil venezuelano passou mal e recebeu atendimento em hospital de campanha montado no posto do Exército Brasileiro. Segundo manifestantes, ele estava desacordado, mas sem ferimentos aparentes.
Até o momento, não há mais informação sobre feridos.

Caminhões com ajuda humanitária

O confronto ocorreu pouco tempo depois de caminhões com a ajuda humanitária retornarem ao lado brasileiro na fronteira após tumulto entre voluntários.
Luiz Silva, deputado da Assembleia Nacional pelo partido Ação Democrática – de oposição a Nicolás Maduro – disse que os caminhões foram tirados da fronteira "para proteger a ajuda, para resguardar".
Maioria das pessoa recua para o lado brasileiro da fronteira após guardas venezuelanos reagirem com bombas de gás lacrimogêneo — Foto: Alan Chaves/G1 RRMaioria das pessoa recua para o lado brasileiro da fronteira após guardas venezuelanos reagirem com bombas de gás lacrimogêneo — Foto: Alan Chaves/G1 RR
Maioria das pessoa recua para o lado brasileiro da fronteira após guardas venezuelanos reagirem com bombas de gás lacrimogêneo — Foto: Alan Chaves/G1 RR
Coquetéis molotov feito por manifestantes em confusão na fronteira do Brasil com a Venezuela — Foto: Alan Chaves/G1 RRCoquetéis molotov feito por manifestantes em confusão na fronteira do Brasil com a Venezuela — Foto: Alan Chaves/G1 RR
Coquetéis molotov feito por manifestantes em confusão na fronteira do Brasil com a Venezuela — Foto: Alan Chaves/G1 RR
Pacaraima é a cidade brasileira onde o governo do Brasil e a oposição ao chavismo liderada por Juan Guaidó estabeleceram ponto de coleta para ajuda humanitária. Os carregamentos de comida, remédios e itens de higiene deveriam chegar neste sábado, mas o regime de Nicolás Maduro fechou as fronteiras com o Brasil. Houve protestos ao longo do dia.
A outra cidade é Cúcuta, na Colômbia, onde Maduro bloqueou a ponte ligando os dois territórios para impedir a passagem dos caminhões. Grande parte da ajuda humanitária continua retida no local, que também registrou confronto neste sábado.
O líder oposicionista venezuelano Juan Guaidó, reconhecido como presidente interino da Venezuela por mais de 50 países – incluindo o Brasil – discursou neste sábado em Cúcuta. Com ele, estavam os presidentes da Colômbia, Chile e Paraguai, além do ministro de Relações Exteriores brasileiro, Ernesto Araújo. Eles exigiram a chegada pacífica da carga ao território venezuelano.
Do lado venezuelano da fronteira, houve confrontos que deixaram ao menos três mortos neste sábado, informou uma médica ao G1. Todos eles na cidade Santa Elena de Uairén, a 15 km do Brasil.
Fronteira entre Brasil e Venezuela — Foto: Rodrigo Sanches/G1Fronteira entre Brasil e Venezuela — Foto: Rodrigo Sanches/G1
Fronteira entre Brasil e Venezuela — Foto: Rodrigo Sanches/G1

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