Verde em Folha Cancelar inscrição
|
|
sex, 28 de jun 17:59 (há 2 dias)
| |
|
|
|
|
Posted: 28 Jun 2019 11:14 AM PDT

O inhame, também conhecido por taro, inhame-branco e taioba-de-são-tomé, é um tubérculo nutritivo muito popular e amplamente consumido no mundo. Cultivado desde 50.000 a.C., na África e na Ásia, hoje é um alimento básico em muitos países da América do Sul, África, nas ilhas do Pacífico e nas Índias Ocidentais. No Brasil, a região Nordeste é a maior produtora e consumidora.
Existem mais de 600 espécies de inhame, mas apenas algumas são consideradas comestíveis - as não comestíveis são geralmente utilizadas para fins medicinais. Muitas das propriedades medicinais do inhame são decorrentes da ação da diosgenina, um fitoesterol de grande interesse da indústria farmacêutica.
O consumo do tubérculo, parente do cará e da batata-doce, melhora o funcionamento do sistema imunológico, a qualidade do sangue e, por ser altamente nutritivo e medianamente calórico, é uma boa opção para quem quer perder peso. Os tubérculos são uma excelente fonte de fibras solúveis e seus carboidratos são complexos. Eles apresentam vitamina A e betacaroteno, quantidades significativas de vitamina C e são ricos em vitaminas do complexo B. Com relação aos minerais, possuem potássio, ferro, cálcio, fósforo, magnésio e cobre. Saiba mais sobre os benefícios do inhame:
Bom para a saúde do coração
As fibras do inhame reduzem os níveis de colesterol no sangue, ajudando a prevenir doenças cardíacas. Além disso, o inhame é uma boa fonte de potássio, um mineral que compensa as ações hipertensivas do sódio em nosso corpo.
Reforça o sistema imunológico
O inhame fortifica os gânglios linfáticos, que são responsáveis pela defesa do sistema imunológico, deixando o corpo mais forte e prevenindo doenças. Doenças virais, como malária, dengue e febre amarela, podem ser evitadas com o consumo do inhame, já que ele ajuda a impedir a contaminação do sangue (mas não é por isso que você deve deixar de tomar todas as vacinas). Os compostos antioxidantes do inhame – betacaroteno e vitamina C – ajudam a prevenir os mais variados tipos de câncer e, por ser fonte de diosgenina e vitaminas B6 e B9, é um ótimo alimento para ajudar no controle e prevenção do Alzheimer.
Grande aliado da saúde feminina
Por possuir fitoestrógenos e hormônios vegetais, o inhame é conhecido por aumentar a fertilidade da mulher, amenizar cólicas menstruais, sintomas da TPM e da menopausa (a diosgenina presente no tubérculo pode auxiliar para contenção de calores, do ressecamento da mucosa e de outros sintomas que acompanham essa fase) e estimular a libido, além de ser útil na endometriose, doença fibrocística da mama e fibrose uterina. Um estudo ainda concluiu que a ingestão de inhame por 30 dias equilibra os níveis hormonais.
Auxilia na perda de peso
O inhame é uma ótima opção de alimento para quem quer emagrecer. Além de conter pouca gordura, as suas fibras promovem a sensação de saciedade e seus nutrientes fornecem mais energia. Além disso, o inhame possui propriedades anti-inflamatórias, o que deixa o corpo menos suscetível a acumular líquidos e toxinas, diminuindo a celulite e inchaços.
Previne a anemia
O inhame é um bom alimento para a prevenção da anemia. Ele é fonte de ferro, mineral que participa do processo de transporte de oxigênio, realizado pelas hemácias; cobre, que ajuda no acesso ao ferro armazenado, para que ele possa ser utilizado na síntese de novas hemácias; vitamina C, que ajuda na absorção do ferro; vitamina B6, fundamental para a produção de hemoglobina; e ácido fólico, que ajuda no processo de maturação das células sanguíneas.
Além disso tudo, o inhame também tem outros benefícios, como ajudar em casos de unhas encravadas, furúnculos e espinhas grandes, desinflamar cicatrizes, evitar dores e inchaço em queimaduras e locais fraturados (quando utilizado de maneira externa) e, por seu poder desinflamatório, pode ser usado em hemorroidas, artrites, cataporas, reumatismos, pleurisias, nevralgias, neurites e eczemas. Comer inhametambém ajuda a baixar a febre e a combater sinusite e apendicite. Os antioxidantescontidos no inhame ajudam ainda a combater o ressecamento da pele quando o inhame é ingerido regularmente.
Como fazer inhame
Alimentos como a mandioca e o inhame - que são raízes - não devem ser ingeridos crus porque apresentam substâncias tóxicas. Para isso, cozinhe-o e adicione em saladas ou sucos, em sopas, patês, pães, bolos e tortas, frito, assado, ou em pirão feito com a sua farinha, acompanhando verduras ou sozinho, com azeite, sal e orégano.
- Salada: ralar, temperar com azeite, sal e limão. Acrescentar outros vegetais a gosto.
- Suco: descascar, ralar e adicionar suco de frutas.
- Cozido: cozinhar com casca e inteiro no vapor ou na pressão. Descascar, temperar com azeite, cebolinha, salsinha e gengibre a gosto.
Converse com sua médica ou médico a respeito do uso do inhame. O funcionamento do sistema endócrino é bastante delicado e integrado, e a diosgenina do tubérculo pode alterá-lo, mesmo que discretamente. Grávidas e lactantes devem evitar o consumo do inhame. Coma sempre com moderação.

|
|
Posted: 28 Jun 2019 10:25 AM PDT
O manjericão é uma erva pertencente à família da hortelã, Lamiaceae. Nativo da Índia e cultivado desde a Antiguidade, suas folhas são utilizadas como tempero especialmente em países tropicais da Ásia e na cozinha italiana.
Existem variados tipos de manjericão, que diferem em sabor e aroma.
O manjericão comum (ou manjericão alfavaca) é um dos tipos mais fáceis de encontrar no Brasil. A folha tem uma espessura fina e o sabor é de média intensidade.
Este e o manjericão italiano – levemente amargo quando cru e com leve sabor de cravo – são os mais conhecidos para fazer um bom molho pesto. Já o manjericão roxo é suave e ótimo para usar na decoração de pratos, graças à tonalidade arroxeada.
Usos do manjericão
O manjericão é muito utilizado na cozinha, sendo um ótimo companheiro dos tomates e ingrediente fundamental para se fazer o famoso pesto genovese, molho típico da Itália.
Também vai bem em saladas, massas, sopas, refogados de carne e com queijos. Como o calor diminui seu aroma, fica melhor se adicionado no final da receita ou só na hora de servir.
Para preservá-lo, lave e seque bem as folhas e acondicione em embalagem plástica limpa e seca. Ou então pique-as e coloque-as num vidro com azeite. Recomenda-se usar as folhas enquanto novas, pois estas perdem o seu aroma depois de secas.
Benefícios para a saúde
Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Purdue, em Indiana, nos EUA, revelou que o manjericão "contém uma ampla gama de óleos essenciais, ricos em compostos fenólicos e uma grande variedade de outros produtos naturais, incluindo polifenóis como flavonoides e antocianinas".
Além disso, o manjericão é rico em vitaminas A, K, C, magnésio, ferro, potássio e cálcio (importante para a manutenção de dentes e ossos, coagulação e pressão sanguínea).
Outros estudos demonstraram que o manjericão possui propriedades antibacterianas, antioxidantes, antiespasmódicas e digestivas.
De acordo com pesquisas apresentadas na Conferência Britânica de Farmacêuticos (BPC, na sigla em inglês) em Manchester, na Inglaterra, o manjericão também possui propriedades que podem ajudar a prevenir os efeitos nocivos do envelhecimento, evitando danos causados por alguns radicais livres no fígado, cérebro e coração.
O uso da planta tem efeitos terapêuticos notáveis. Por conter altas quantidades de beta-cariofileno, o manjericão pode auxiliar no tratamento de artrites e outras complicações inflamatórias.
Além das vitaminas e dos sais já descritos, o manjericão contribui para reduzir o crescimento de algumas bactérias, tornando seu uso em saladas interessante.
Tradicionalmente, o manjericão pode ser usado também no trato de tosse, de disfunções renais e como método de alívio de dores de estômago. Ele serve como repelente natural de insetos devido ao seu forte odor, que afasta moscas e mosquitos. Mas atenção: segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), apenas repelentes com químicos à base de icaridina são eficazes contra o Aedes aegypti(transmissor da dengue, da zika e da chikungunya). Os repelentes à base de neem, citronela e andiroba não contêm esse princípio ativo.
Estética
Devido à atividade antioxidante encontrada no extrato de manjericão, seu uso proporciona o benefício da prevenção aos efeitos negativos do envelhecimento. Segundo estudo, o extrato do manjericão apresentam mais atividade antioxidante do que alguns antioxidantes padrões, podendo ser um aliado no combate a linhas de expressão, tanto por meio do consumo, quanto na aplicação de produtos cosméticos (como sabonetes e hidratantes) com essa função.
Como cultivar
O manjericão é uma planta que não suporta baixas temperaturas, necessita de alta luminosidade e deve receber luz solar direta ao menos por algumas horas, diariamente.
O solo deve ser bem drenado, leve, fértil e rico em matéria orgânica. Irrigue com frequência para que o solo seja mantido levemente úmido. Tanto a falta quanto o excesso de água prejudicam o manjericão.
O manjericão pode ser cultivado facilmente em jardineiras e vasos de tamanho médio ou grande, embora geralmente cresça menos. Nesse caso, dê preferência a cultivares de menor porte.
Retire plantas invasoras que estejam concorrendo por nutrientes e recursos. A colheita das folhas pode começar quando a planta estiver bem desenvolvida, o que geralmente ocorre de 60 a 90 dias após a semeadura. As flores também são comestíveis, e eliminá-las pode favorecer o crescimento de mais folhas.

|
|
Posted: 28 Jun 2019 07:51 AM PDT
 |
| Acanthus - Verde e Folha |
As condições climáticas fazem a diferença no jardim.
Para conquistar um jardim dos sonhos, primeiramente, é preciso escolher as plantas corretas. Essa decisão depende do objetivo do jardim: um jardim com flores coloridas? Plantas ornamentais? Horta de ervas aromáticas ou de legumes? Tais definições auxiliam a projetar um lugar jardinado que combine com o estilo de vidadas pessoas que frequentam o local.É difícil encontrar alguém que não aprecie a beleza de um jardim bem cuidado. E a boa notícia é que, especialmente em grandes espaços, é possível deixar um jardim bonito e saudável. Para isso, tomar as escolhas corretas é fundamental.
Dicas para quem quer um jardim florido
 |
| Bergenias - Verde e Folha |
Caso a opção seja por um jardim florido, é importante aprender a diferenciar entre as flores perenes (cujo período de floração é bem pequeno, no entanto, ocorre todos os anos sem a necessidade de uma nova plantação), e as flores anuais (cuja plantação precisa ser feita a cada ano, mas a floração ocorre praticamente durante todo o verão).
Exemplos de flores perenes: flor-de-lis, azaleias, margaridas amarelas, cravina e narciso.
Exemplos de flores anuais: tagetes e margaridas.
Flores para locais com muito sol:adelfas, azáleas, cactos, gazânias, gerânios, lavandas, melissas, rosas, salvas, tomates e vegetais folhosos.A escolha para dar início ao jardim dever ser feita com cuidado. É preciso avaliar, por exemplo, os limites do espaço e se possível deixa-lo reservado de onde crianças brincam e animais domésticos ficam. Definido o local, é fundamental estudar a posição solar do mesmo. Conhecer bem esse aspecto é fundamental para a escolha adequada de plantas e flores, pois grande parte delas exige seis horas de luz solar todos os dias e em casos de haver mais sombra do que sol, sementes alternativas devem ser usadas.
Flores para locais com muita sombra: acanthus, algumas espécies de hortênsias, amarílis, anêmonas, aquilégias, bergenias, euforbiáceas, hostas, lobélias, samambaias, tulipas e violetas.

|
|
Posted: 28 Jun 2019 11:58 AM PDT
No século XIII, o cavaleiro Gaspard de Stérimberg, retornou das Cruzadas e estabeleceu-se ao sul da cidad
e de Lyon, perto do entroncamento dos rios Rhône e Isère. Lá, ergueu uma capela para São Cristóvão e viveu como ermitão, isolado do mundo. Acredita-se que ele ou talvez outros cruzados, ao retornarem para a França depois das batalhas no Oriente Médio, teriam trazido consigo mudas de vinhas da cidade de Shiraz (ou Chiraz), na Pérsia, então um importante centro comercial da antiguidade.
Outra lenda dá conta de que os imigrantes gregos da cidade de Foceia (atualmente Foça, na Turquia) teriam criado relações comerciais no Mediterrâneo e também fundado portos e cidades, entre elas Massalia (Marselha). Assim, eles teriam trazido as mudas adquiridas em Shiraz, na Pérsia, e as implantado na região ainda no século VI a.C. Há chances ainda de a variedade ter sido originada no mar Egeu, numa das ilhas gregas das Cíclades chamada Siro (ou Syra).
No entanto, alguns acreditam que a origem da uva Syrah no Rhône é ainda anterior, remontando a 310 a.C. Na época, Agathocles, tirano que reinava na ilha siciliana de Siracusa (Syracusa) teria trazido consigo mudas de vinhas quando esteve no Egito. Da ilha, as vinhas teriam se espalhado pelo sul da França.
Outros ainda cogitam a ideia de que, nos primeiros anos depois de Cristo, Plínio, o Velho, filósofo e naturalista romano, teria descrito a variedade Syriaca, uma versão escura da uva Aminea, que crescia na Síria, como uma ancestral da Syrah. Há quem sugira que São Patrício, patrono da Irlanda, foi quem plantou as primeiras mudas de Syrah no Rhône quando fazia seu trajeto para a abadia de Lérins, na ilha de Saint-Honorat, perto de Cannes.
Já os viticultores albaneses creem que a Syrah tenha se originado em suas terras. Lá, cresce uma variedade tinta chamada Serina e Zezë e outra dita Shesh i zi, que teriam parentesco com a Syrah. Sérine, por sinal, é um dos nomes pela qual a variedade é conhecida.
E então? Qual hipótese você acha mais plausível para o surgimento da Syrah e sua instalação no Rhône? Antes de ficar matutando, saiba que absolutamente nenhuma delas está correta. As origens da variedade estão mesmo diretamente ligadas ao norte do vale do rio Rhône, mais especificamente na área ao norte do rio Isère e à leste do Rhône, até o lago de Genebra, entre a França e a Suíça, no departamento de Isère.
Essa hipótese foi levantada devido a uma análise de DNA feita em 1998 pela UC Davis e pelo INRA (instituto de pesquisas agronômicas) em Montpellier, no sul da França. O levantamento surpreendeu os cientistas e mostrou que a Syrah é um cruzamento natural entre a Mondeuse Blanche, branca, e a Dureza, tinta. A Mondeuse, natural da região de Savóia, próxima ao Rhône, costumava ser cultivada também em Ain e Isère. A Dureza, natural de Ardèche, logo a oeste do rio Rhône, costumava ser cultivada em Drôme e também em Isère. Portanto, os ampelógrafos concluíram que o nascimento da Syrah deve ter se dado em um local em que essas duas variedades eram plantadas, portanto, mais provavelmente em Isère por volta do século XII.
A data, porém, pode ser anterior, já que alguns estudiosos acham que a Syrah pode ter sido citada pelos primeiros naturalistas romanos como Columella e Plínio, o Velho, no século I da era cristã. Em seus escritos, eles apontavam uma variedade chamada de Allobrogica, cultivada na terra dos Alóbroges, que vai do lago de Genebra até Grenoble e do norte de Savóia até Vienne, cidade que faz parte de Côte Rôtie, logo ao sul de Lyon. Essa uva era usada para o picatum, um vinho resinoso feito perto de Vienne. Segundo Plínio, era uma casta de maturação tardia cultivada em terras frias. Daí também poderia ter surgido o nome Syrah, que seria uma derivação de Sérine, que viria do latim “serus” (tardio).
Vários nomes e a fama fora da França
A Syrah, por sinal, possui diversos nomes e não apenas a sua variação mais comum Shiraz, que ficou famosa devido ao boom dos vinhos australianos. Aliás, até mesmo na Austrália ela possui ainda outro nome e pode ser chamada de Hermitage. Mas, suas variações mais comuns são: Sira, Sirac, Sirah, Syra, Syrac, além de, como já foi visto, Sérine, que também apresenta diversas possibilidades como: Sérène, Serine e Serinne. Ela também pode ser chamada de Petite Sirrah (não confundir com Petite Sirah, que é outra casta), Candive e Marsanne Noire.
Barthélemy Faujas de Saint-Fond foi o primeiro a citar a variedade e a chamou de “‘la Sira de l’Hermitage
A uva possui diversos nomes e, além de Syrah, pode ser chamada de Shiraz, Sérine, Candive, Marsanne Noire etc
A primeira citação conhecida sobre a Syrah é de 1781, pelo geólogo e naturalista Barthélemy Faujas de Saint-Fond, que a chamou de “‘la Sira de l’Hermitage”. Ele descreve: “produz um vinho agradável, generoso, apetitoso e que pode envelhecer bem: nós podemos misturar com uma pequena quantidade de uvas brancas, como é feito em Tain. Serine e Vionnier de Côte Rôtie também seriam adequadas”.
Como se pode perceber, a variedade ganhou sua fama no norte do vale do Rhône, especialmente em Hermitage e Côte Rôtie, onde serve de base para os principais tintos, sendo muitos varietais, mas também contendo pequenas parcelas de Roussanne e Marsanne (Hermitage), ou Viognier (Côte Rôtie). Nos vinhos de Crozes-Hermitage e Saint-Joseph, a Syrah também é majoritária, e, em Cornas, ela deve ser monovarietal.
Contudo, apesar de seu berço francês, a fama do nome Syrah, mais precisamente Shiraz, deu-se com o boom dos vinhos australianos entre os anos 1980 e 1990. Parte do prestígio veio com o Penfolds Grange Hermitage. Lançado em 1952 pelo enólogo Max Schubert, este Shiraz tornou-se mundialmente conhecido, ganhando o prêmio de vinho do ano da revista Wine Spectator em 1995 (já sem Hermitage no rótulo), e levou o nome da casta às alturas, tornando-a tão conhecida quanto outras tintas já fartamente decantadas como Cabernet Sauvignon, Merlot e Pinot Noir, por exemplo.
A Syrah chegou à Austrália em 1832, com James Busby, considerado o pai da indústria de vinhos no país. Ele teria trazido mudas em Montpellier, que na época eram conhecidas como Scyras, e mais tarde se provaram idênticas às de Tain, em Hermitage, daí o nome com que a uva ficou conhecida (Shiraz e Hermitage) por lá.
Syrah é a sexta variedade com maior área plantada no mundo, com 185.568 hectares
Não à toa, um levantamento feito em 2010 mostrou que a variedade é a sexta no mundo com maior área plantada, o equivalente a 185.568 hectares (o que representa incríveis 4% dos vinhedos do globo), perdendo apenas para Cabernet Sauvignon, Merlot, Airen, Tempranillo e Chardonnay. Para se ter uma ideia do crescimento que ela teve, em 1990, havia pouco mais de 35 mil hectares plantados no planeta, com a Syrah na 35a posição entre as mais cultivadas. Em 2000, o número passou para pouco mais de 101 mil ha, já aparecendo em oitavo lugar. Um crescimento de quase 200% em uma década.
Apesar de a França ter a maior quantidade de área plantada, com quase 70 mil ha, a Austrália vem logo atrás com cerca de 42 mil ha. Os outros principais produtores são: Espanha (20 mil ha), Argentina (12,8 mil), África do Sul (10,1 mil), Estados Unidos (9,1 mil), Itália (6,7 mil), Chile (6 mil) e Portugal (3,5 mil).
Apesar de a Austrália ter ficado com a fama, um dos primeiros lugares fora da França em que a variedade foi cultivada foi na África do Sul, onde teria chegado em meados do século XVII. Todavia, ela permaneceu uma casta pouco importante no cenário sul-africano até o boom dos anos 1980 promovido pelos australianos. Em 1878, a cepa chegou aos Estados Unidos e, apesar de não ter o mesmo sucesso da Cabernet Sauvignon e Pinot Noir, levou um grupo de viticultores a criar, nos anos 1980, a associação “Rhône Ranges”, para promover as uvas do Rhône em solo norte-americano. A organização conta, hoje, com mais de 170 membros.
Tipicidade
A Syrah é uma uva de personalidade forte. Os vinhos feitos a partir dela normalmente apresentam bom corpo, são potentes e cheios de sabor. Suas notas mais características variam entre frutas negras (como mirtilos e amoras), violetas e azeitonas pretas, além de especiarias picantes, muitas vezes pimenta preta, às vezes branca. Com o tempo, esses aspectos aromáticas evoluem e costumam surgir notas terrosas ou mesmo de carne – alguns associam ao defumado, couro e trufas.
Obviamente, as condições de clima e solo da região vitivinícola, assim como o modo de produção, influenciam a paleta de aromas e sabores. De modo geral, os Syrah da Itália e da França tendem a apresentar mais acidez, pimenta preta e notas terrosas e herbáceas, enquanto que em países como Austrália, Estados Unidos, Chile e Argentina, por exemplo, nota-se uma fruta mais suculenta, notas florais e de especiarias.
Embora não seja tolerante a climas extremamente quentes ou frios, a Syrah é naturalmente resistente a doenças e, por ter facilidade de adaptação a diversos microclimas, atualmente, é cultivada em diversos países, desde a nativa França até Austrália (onde é a principal variedade plantada), Estados Unidos (Washington State e Califórnia), África do Sul, Chile, Argentina, além de Itália (cultivada em pequena escala por todo o país e compondo bons blends com Sangiovese e Nero d’Avola), Espanha (usada em projetos na Rioja, por exemplo, e também como varietal em alguns casos esparsos), Portugal (vem tendo ótimos resultados no Alentejo), Marrocos, Tunísia, Líbano (entra no blend do Château Musar), Uruguai, Brasil (de modo restrito a alguns produtores específicos e também no Nordeste), Suíça (encontrada no Valais) e Nova Zelândia.
Enólogo da primeira vinícola a cultivar Syrah em solo alentejano, Hamilton Reis, da Cortes de Cima, afirma que a variedade é capaz de produzir vinhos de qualidade desde muito jovem, no terceiro ou quarto ano de produção do vinhedo. “A Syrah resulta em vinhos potentes, reativos e vivos, resguardados na elegância, equilíbrio e frescor. A acidez natural que a uva é capaz de preservar, aliado à qualidade dos seus taninos, entregam a esta casta um excelente potencial de evolução no tempo, em estágio de garrafa”, afirma.
Syrah em Bordeaux
Apesar de majoritariamente plantada no vale do Rhône, durante algum tempo a Syrah também foi usada nos blends de Bordeaux para que estes ganhassem cor e estrutura e, com isso, eram descritos como “Hermitagés”. Alguns Châteaux como Lafite, Latour e Cos d’Estournel chegaram a ter quantidades significativas de Syrah cultivada em seus vinhedos. Um documento do negociante Nathaniel Johnston revela o quanto essa prática era comum: “O Lafitte 1795, que foi feito com Hermitage, foi o vinho que mais gostei de todos daquele ano”, escreveu.
|
França
Na França, a Syrah é a estrela do vale do Rhône. Os vinhos feitos a partir dela são marcados por pimenta preta e apresentam diferenças de perfis e aromas de acordo com a sub-região onde são produzidos. A composição dos solos, as temperaturas e exposição solar das vinhas traduzem-se em diferenças notáveis.
Em Côte Rôtie, por exemplo, os Syrah costumam ter coloração menos intensa, porém são mais aromáticos, com traços florais e tostados, influência da pequena proporção da branca Viognier usada no blend típico do local e, diga-se de passagem, muito utilizado em outras partes do mundo. Exceção a esse estilo delicado, em Côte Rôtie, Guigal, um dos mais afamados viticultores dessa região, produz alguns Single Vineyards – La Mouline, La Landonne e La Turque – tão intensos quanto os Hermitages, às vezes ainda mais intensos.
Aliás, os Hermitage, com suas uvas vindas das encostas íngremes, têm taninos firmes e notas minerais e de groselhas e, ao evoluir, normalmente apresentam algo de carne, couro, chocolate e toques de tabaco e especiarias, via de regra, picantes. Já em Crozes-Hermitage, região mais plana – e um pouco mais ao norte – e também em St-Joseph, o perfil é de vinhos mais suculentos, com bom volume de boca, toques especiados mais evidentes e, por vezes, traços de café. Em Cornas, são produzidos os Syrah com maior robustez e cor, mas geralmente sem a mesma tensão e a mesma vibração dos Hermitage. Mais ao sul do Rhône, nos arredores de Châteauneuf-du-Pape, nas regiões de Gigondas e Côtes-du-Rhône-Villages, por exemplo, a Syrah deixa seu protagonismo de lado para assumir o papel de coadjuvante, com a função de conferir estrutura aos blends com Grenache e Mourvèdre.
Austrália
Na Austrália, a Syrah é vedete e conhecida há muitas gerações como Shiraz. Aproximadamente um quarto dos vinhedos do país são de uva Shiraz e, certamente, está presente em muitos dos melhores rótulos australianos.
Embora a Syrah francesa e a Shiraz australiana sejam a mesma casta, o perfil dos vinhos certamente não é. Os australianos são, geralmente, mais cremosos, com aromas de groselha e cerejas negras, tendo muitas vezes notas de chocolate. Assim como na França, os estilos são, de certa forma, determinados pelo terroir.
Em Barossa Valley – com sua paisagem de vinhas velhas de baixo rendimento e muita concentração – tintos untuosos, com taninos sedosos e marcantes, destacam sabores de chocolate amargo, frutas vermelhas, menta e eucalipto. Pode-se dizer que a qualidade dos vinhos de Barossa Valley foi fundamental para a fama da Shiraz na Austrália. Já em McLaren Vale produz-se vinhos acolhedores e, ainda que de sabores intensos, mais fáceis de beber. Em Hunter Valley, os Shiraz são robustos, de coloração intensa, marcados por notas de couro, e longevos, por vezes sendo apelidados de “Hunter Hermitage”.
A cepa vem ganhando destaque nos Estados Unidos com os “Rhône Ranges”
Outros países do Novo Mundo
Nos Estados Unidos, encontra-se Syrah principalmente para a composição de blends. Para os varietais, na Califórnia, uma curiosidade: quando, no rótulo, denominam-se “Syrah”, normalmente isso é sinônimo de influência francesa; quando se declaram “Shiraz”, o estilo é mais frutado, de influência australiana. Em Washington State, diferentes terroirs determinam diferentes perfis: em zonas mais quentes, onde a fruta amadurece mais cedo, os vinhos apresentam sabores de amoras pretas, cassis e ameixas, enquanto que, em zonas mais frias, destacam-se amoras vermelhas, cerejas e notas untuosas e defumadas que lembram bacon.
A Syrah adaptou-se bem também na África do Sul, especialmente em Paarl e Stellenbosch, onde são produzidos tintos densos e com a madeira tendo, geralmente, papel importante.
No Chile, a boa adaptação da Syrah ao local já lhe rendeu lugar cativo na vitivinicultura, dado à grande qualidade e diversidade de vinhos produzidos desde a costa até a cordilheira, e também de norte a sul. Novamente, dependendo da região do vinhedo, há variação de estilo do vinho. Em áreas mais quentes, como o Vale de Colchagua, via de regra, os Syrah são robustos e suculentos. Já em zonas mais frias, como Vale de San Antonio, Elqui e Limarí, produzem-se tintos mais aromáticos, complexos e com notas de especiarias picantes. Por isso, atualmente diversas vinícolas têm buscado cultivar suas uvas em direção à cordilheira, zonas mais altas e mais frias.
Ainda na América do Sul, na Argentina, a Syrah era usada somente na composição de blends. Hoje em dia, existem alguns varietais, como, por exemplo, os produzidos em San Juan e na parte leste de Mendoza, que costuma ter caráter mais exuberante e frutado. Já em regiões mais frias, como o vale do Uco, tendem a ser mais estruturados.
No Brasil, há vinhedos esparsos de Syrah nas diversas regiões produtoras, desde a Campanha Gaúcha, Vale dos Vinhedos até o Nordeste. Aliás, os tintos brasileiros que levam Syrah que mais se destacam são feitos nesta última região. Entretanto, a presença da Syrah em nosso país ainda é tímida e os melhores resultados estão restritos a poucos produtores.
|
O caráter encorpado da Syrah faz com que os vinhos produzidos com ela harmonizem com pratos repletos de sabor, desde carne de caça até filés, churrasco e assados em geral. Entretanto, havendo diferentes perfis de tintos Syrah sendo produzidos no mundo, obviamente, a casta não se limita a casar bem com carnes. Os rótulos marcados por notas mais frutadas crescem na companhia de aves como peru e galinha d’Angola, além de cordeiro. Já os Syrah de corpo mais leve não fazem feio ao lado de pratos das culinárias indiana, chinesa e tailandesa, por exemplo.
|

|
|
|
|
Nenhum comentário:
Postar um comentário