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Renato Dasg

Etnias Judaicas: Os Judeus Japoneses: História Judaico-Japonesa (Parte II)
Hoje, sexta-feira, ABR 22, a partir do pôr do sol, se iniciará Pessach/Páscoa Judaica. Trata-se de um período de Libertação. Então, vamos refletir sobre tudo aquilo que nos aprisiona, seja no âmbito material quanto espiritual. Elevemos nossos pensamentos ao Todo Poderoso e peçamos bênçãos. Desejo a todos, judeus e não judeus, um verdadeiro CHAG PESSACH SAMEACH/FELIZ PÁSCOA e SHABAT SHALOM!
Continuemos a leitura da nossa série de artigos sobre as Etnias Judaicas sobre os judeus japoneses. Boa leitura.
Diversas convergências entre as culturas, a linguística e as histórias judaica e japonesa são notadas por pesquisadores e estudiosos do tema. Há algum tempo, fragmentos de antiguidades foram encontrados por arqueólogos, que, aos quais, traçaram uma linha comum às assírias e judaicas.
Além disso, não é preciso ser cientista para notar as incríveis semelhanças do Templo de Salomão e os templos xintoístas do Japão. Também é intrigante, nas fazendas entre as cidades de Kyoto e Otzu, a existência de um determinado tipo de carroças e uma espécie de gado mais forte e diferente das demais raças bovinas japonesas, típicos do Período Bíblico e oriundos da cidade de Bashan/Basan.
Entre os cristãos nipônicos, há um ramo chamado “Makuya”, palavra japonesa que traduz a expressão hebraica “Ohel Moed”, que aparece em Êxodo 29: 42-43 e se refere ao lugar de encontro entre Deus e o Homem. Os membros desse grupo são intrinsecamente ligados ao Sionismo e a Israel e defensores da teoria que aponta o povo japonês como oriundo das Dez Tribos Perdidas. Para tanto, os makuya empregam argumentos baseados em provas arqueológicas e históricas. Não obstante, insistem que a Família Real Japonesa é descendente do clã hada, constituído por membros que chegaram ao Japão partindo do Oriente Médio, em séculos que remontam à época do Rei Oséias.
Ainda no prisma arqueológico, na cidade de Koryuji, onde viveram os hada, existe um poço de água em cujas laterais há a inscrição “Poço de Israel”. Uma outra curiosidade centra-se no comportamento religioso praticado pelo clã yamabushi: seus descendentes se dirigem a uma montanha para orar para seu deus — tal como Moisés no Monte Sinai —, utilizando uma espécie de filactérios denominada “tonkin”, que lembra os filactérios judaicos/tefilin.
No prisma religioso, há vários traços que aproximam as culturas hebraica e japonesa. No século VII, subiu ao trono o 36º Imperador do Japão, sua alteza Kotoku (597-654) que reinou entre 645 e 654. Kotoku promulgou leis administrativas e diversas outras voltadas para a justiça social e ética. Tais leis, quando analisadas profundamente, são originárias nas leis judaicas da Torá, como, o ano shabático ocorrendo de 7 em 7 anos — o ano de descanso da terra, ordenado por D’us (Êxodo 23, 10-11 e Levítico 25, 2-8) quando não pode ser cultivada; ano para o perdão das dívidas (Deuteronômio 15, 1-2); e o ano para a libertação dos escravos (Deuteronômio 15, 12) —; a nacionalização da terra; a proibição do vilipêndio corporal (como tatuagens e piercings) e o respeito pelos mortos e suas sepulturas.
Segundo diversos historiadores, a preocupação do imperador Kotoku em promulgar tais leis reside em uma forte união do Estado com os clérigos xintoístas, com intuito de afastar o povo do budismo, vista como uma religião estrangeira que crescia no país. Assim, o imperador e o clero xintoísta pretenderam preservar a dignidade e a função desempenhadas pela religião tradicional.
No próximo artigo, leremos sobre a formação e o modus vivendi das atuais comunidades judaicas do Japão.
Uma semana de Presença Divina a todos.
No sincero SHALOM,
Prof. Renato Dasg[1]
renatodasg@msn.com
[1] Graduado em Português-Hebraico pela UFRJ. Mestre em Educação. Possui publicações no Brasil e em Israel sobre Religião, Cultura Judaica e Ensino de Língua Hebraica.
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Pois sou judeu e penso que as tradições de família são muito parecidas